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Relatório evidencia necessidade de abordar questões de gênero nas políticas sobre drogas

Terça, 11 de abril de 2017.

Ag. BrasilCada vez mais mulheres estão morrendo no mundo por overdose de drogas. Essa foi uma das conclusões apontadas pelo Relatório do Painel Internacional de Controle de Narcóticos de 2016. O documento foi lançado no último mês de março e reforça a importância de desenvolver programas e políticas públicas voltados às mulheres.  

O Painel é um organismo independente que monitora a implementação de convenções internacionais das Nações Unidas. Segundo o presidente do órgão, Werner Sipp, para que as políticas sobre drogas sejam realmente eficientes, há necessidade de se considerar as diferentes situações de homens e mulheres.

Sipp menciona que os governos precisam levar em conta essas especificidades de cada público e garantir a proteção dos direitos delas e suas famílias. Ele entende que as mulheres dependentes de drogas possuem uma realidade diferente da enfrentada pelos homens. Como exemplo, o presidente pontuou a forte ligação entre o trabalho, por meio do sexo, e o uso de drogas.  

Muitas mulheres, quando se encontram em situação de vício, recorrem à prostituição para poder manter a compra de substâncias psicoativas, explicou o líder. Por outro lado, as profissionais do sexo utilizam entorpecentes como estratégia de fuga para aguentar as exigências e a natureza do trabalho.

Realidade própria

Independentemente do contexto, as mulheres enfrentam dificuldades no acesso ao tratamento de recuperação. Dentre os principais problemas estão o preconceito atrelado à profissão, bem como o desconforto nos locais de tratamento, majoritariamente frequentados por homens. Outra questão importante, na reluta em buscar por ajuda, está no medo que as usuárias de drogas têm de seus filhos serem encaminhados para a adoção.

A Confederação Nacional de Municípios (CNM) acompanha de perto o desenvolvimento de políticas públicas ligadas à temática das drogas. E acredita que, para aumentar o percentual de recuperação das mulheres dependentes químicas, deve haver um esforço para intensificar os programas de prevenção e tratamento direcionado para gestantes, profissionais do sexo e portadoras do vírus HIV.

Esse tipo de iniciativa é fundamental para garantir a proteção desse público. E principalmente, para mudar as estatísticas que sinalizam que a maior parte dos beneficiados por tratamento contra a dependência é do gênero masculino.

Agência CNM, com informações das Nações Unidas