Notícias

CNM participa de reportagem que mostra falta de políticas públicas para os usuários de crack no campo

Quarta, 19 de abril de 2017.

19042017 reportagem crack zona rural EBCUm problema que atinge trabalhadores do campo e se torna silencioso para a sociedade em razão de raras políticas públicas voltadas aos camponeses dependentes de crack. A Confederação Nacional de Municípios (CNM) participou de uma reportagem veiculada na TV Brasil para elencar os efeitos devastadores do crack e as mazelas oriundas do uso da droga no campo, bem como a dificuldade dos Municípios no combate ao problema.

A reportagem da EBC, denominada Caminhos da Reportagem, foi ao interior paulista, onde trabalhadores consomem a droga na própria lavoura ou depois do trabalho no campo. Segundo relatos de dependentes em tratamento, a utilização da droga no campo tem superado a ingestão de álcool.  A produção relata as dificuldades vivenciadas por camponeses e donos de propriedades rurais na tentativa de largar o vício. Ainda denuncia que muitos desses produtores fazem o uso da droga para aumentar a produtividade e, em alguns casos, com o consentimento dos próprios patrões.

O documentário exibe que o imbróglio dessas pessoas esbarra na falta de assistência aos usuários de crack. As lavouras, geralmente situadas em áreas isoladas, dificultam a fiscalização e a realização de iniciativas que possam fazer um mapeamento e definir ações eficazes no auxílio aos dependentes químicos.

Dificuldades e diferenças

Em sua participação na reportagem, a técnica do Observatório do Crack da CNM, Mariana Boff Barreto, faz um histórico do surgimento da droga no Brasil. Ela também relata casos pontuais de patrões que autorizam o uso do entorpecente para aumentar a produção rural. A técnica ainda lembra que alguns usuários do campo estão trocando o álcool pelo crack, principalmente nos canaviais.

Além disso, a técnica da CNM revela que os dependentes químicos da cidade têm mais acesso à informações e conseguem auxílio para o tratamento de uma forma mais célere em relação aos usuários do campo. Nesse contexto, ressaltou a visibilidade que as áreas urbanas possuem na definição de políticas públicas, o que na rural é quase nula.

Por fim, a CNM faz um comparativo na dificuldade de identificação entre usuários que vivem nas áreas rurais e urbanas. “Se a gente tem uma dificuldade de falar em Municípios de grande porte que a gente vê o usuário na rua, é muito diferente em um lugar pequeno, em uma área rural onde não é feito esse acompanhamento e muitas vezes você não vê. A gente sabe que ele existe, mas você não enxerga”, explicou.

Observatório do Crack

A CNM disponibiliza a plataforma digital conhecida como Observatório do Crack que fica hospedada no site da entidade. A ferramenta, criada em 2011, tem o intuito de promover, entre outros eixos, o debate sobre a temática das drogas. Clique aqui para acessar o Observatório do Crack. Assista à íntegra da reportagem.