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Levantamento alerta para aumento da venda de crack na capital paulista

Terça, 06 de novembro de 2018.

Arquivo Ag BrasilO Departamento de Narcóticos do Estado de São Paulo (Denarc) realizou levantamento na capital paulista no mês de maio sobre o tráfico de drogas. A investigação apontou a existência de pelo menos 275 pontos de venda no Município e gerou um alerta para a disseminação do crack.

A substância já corresponde a aproximadamente 80% das vendas nas “biqueiras” – como são chamados os locais de tráfico. Com o aumento na comercialização, a Polícia Civil divulgou que vai começar um trabalho nas regiões de uso de menor porte, as chamadas “minicracolândias”.

Para realizar o mapeamento, o Denarc levou em consideração as localidades que registraram mais de uma prisão por tráfico. Por se tratar do primeiro estudo, não é possível comparar o número de pontos de venda na cidade. Porém, segundo os investigadores, constatou-se aumento da venda do crack especificamente. O levantamento é considerado estratégico pela Polícia Civil, pois essas regiões identificadas, ainda que pequenas, dão força e financiam o crime organizado.

Luís Flávio Sapori, sociólogo e pesquisador da Pontifícia Universidade Católica de Minas (PUC-MG), acredita que as prisões de usuários e de traficantes não resultaram no recuo da droga. O crack expandiu de São Paulo, no início dos anos 1990, para o Nordeste, nos anos 2000. “A repressão não funcionou e a área da saúde pública tem se omitido, deixando a responsabilidade para as polícias”, argumenta.

O especialista aponta também que o usuário tem perfil “muito compulsivo”, o que ajuda a explicar a expansão da droga. “Apesar de não ser a mais consumida, posto que é da maconha, seguida pela cocaína, o crack cria um mercado amplo e lucrativo de usuários que compram uma grande quantidade de pedras”, justifica.

Foto: Arquivo/Ag. Brasil
Da Agência CNM de Notícias com informações do Estadão