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Novo estudo reconhece vício gerado pelo uso da maconha

Sexta, 18 de janeiro de 2019.

Maj. Will Cox ReleasedUma dúvida que permeia a questão do uso de maconha é se realmente vicia. A droga é ilegal no Brasil, mas permitida em 25 Estados dos Estados Unidos e em alguns outros diversos países, para fins recreativos ou medicinais. Recente pesquisa indica que a Cannabis sativa, utilizada a longo prazo, perturba determinados circuitos do cérebro, desencadeando desejos e dependências.

A conclusão é da Escola de Ciência e Comportamento do Cérebro, da Universidade do Texas, em Dallas, nos EUA. O estudo identificou que parte do cérebro associada a recompensa se acendeu quando pessoas olhavam para imagens da droga ou itens associados. Para os estudiosos, a ação se difere entre usuários ocasionais e dependentes. Os pesquisadores sugeriram que a maconha pode impactar um circuito cerebral conhecido como sistema de recompensa mesocorticolímbico, provocando desejos. Esse sistema controla outra região do cérebro que libera a dopamina, substância química associada ao prazer.

A pesquisa
A metodologia usada para investigar a relação da maconha com danos ao sistema cerebral envolveu 59 adultos usuários (com pelo menos 12 anos de uso da droga) e um grupo de 70 pessoas que não faziam uso da droga.

Para os dois grupamentos, foram apresentadas imagens da maconha e itens relacionados. Em seguida, eram mostradas fotos de frutas de preferência (indicada pelo grupo focal), tal como, banana, uva, laranja ou maçã. A equipe também aplicou um questionário a respeito do uso da droga e se o indivíduo pesquisado acreditava que estava sofrendo problemas em razão disso. Muitos dos usuários afirmaram sofrer problemas familiares e de relacionamento.

A partir de exames de ressonância cerebral, foi descoberto que, para o usuário de maconha, quando mostradas as imagens relacionadas a droga, o circuito de recompensa do cérebro ficou ativo. Isto não ocorria quando mostradas as fotos de frutas. Já para o grupo de não-usuários, ocorria exatamente ao contrário: somente as imagens das frutas estimulavam tal circuito.

Segundo a pesquisadora da universidade norte-americana Dra. Francesca Filbey, foi atestado que tal perturbação do sistema de recompensa se relaciona com o número de problemas, como questões familiares, que os indivíduos têm por causa do uso de maconha, e que “o uso contínuo, apesar desses problemas, é um indicador de dependência”, salientou.

Atuação
O Observatório do Crack, área da Confederação Nacional de Municípios (CNM) que acompanha o tema das drogas e as políticas públicas voltadas para o problema, lembra que, apesar do crescente número de usuários, muitos cientistas consideravam que as evidências de vício por parte da maconha ainda eram escassas. A publicação da revista Human Brain Mapping ajuda a esclarecer alguns desses questionamentos.

Desde 2011, a entidade municipalista tem um site exclusivo para monitoramento do crack e outras drogas, ilícitas e lícitas, no Brasil. Por envolver setores da gestão pública, como educação, saúde, assistência social e segurança, a Confederação acredita ser essencial manter sociedade e gestores atualizados com as descobertas mais recentes.

Da Agência CNM de Notícias com informações do Daily Mail e da Uniad

Foto: Maj. Will Cox/Released