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Mortes associadas ao uso de bebida alcoólica disparam durante a pandemia

Segunda, 18 de abril de 2022.

cerveja 1Um estudo da divisão dos Institutos Nacionais de Saúde, agência de pesquisa biomédica do governo dos Estados Unidos, por meio de seu Instituto Nacional sobre Abuso de Álcool e Alcoolismo (NIAAA), afirmou que houve um aumento de 25,5% de óbitos envolvendo álcool. Em números reais, as mortes subiram de 78.927, em 2019, para 99.017 no ano de 2020, incluindo casos de falência hepática relacionada à bebida, e a questão de intoxicação pelo consumo excessivo de álcool.

As informações foram divulgadas no Journal of the American Medical Association (JAMA), revista científica da Associação Médica Americana, no fim do mês de março. Tal aumento foi verificado em diversas localidades, incluindo o Brasil. Embora no Brasil tenham sido utilizadas metodologias diferentes em relação a pesquisa americana, o crescimento de mortes no primeiro ano da pandemia também ficou muito acima da média da década anterior, quando foram registrados aumentos pequenos ou até queda em alguns anos.

Os dados foram apresentados pela organização independente de saúde pública Vital Strategies, baseados em referências do Ministério da Saúde brasileiro, onde foi identificado que do ano de 2019 para 2020 houve aumento de 18,4% em falecimentos relacionados a "transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de álcool".

A pandemia de Covid-19 afetou vidas no mundo inteiro, e as premissas para que o aumento na quantidade de mortes, tanto nos EUA quanto no Brasil, tenha crescido nesta magnitude, pode estar associado ao estresse gerado pela doença, na qual muitas pessoas enfrentaram isolamento e mudanças bruscas no dia a dia.

Para os americanos, também houve uma explosão nas mortes por overdose de drogas, que se intensificaram durante a pandemia. De abril de 2020 a abril de 2021 ultrapassaram pela primeira vez a marca de 100 mil vítimas em um ano, aumento de 30%. O confinamento que a rotina da pandemia causou modificou abruptamente a vida de indivíduos no mundo inteiro, assim como seus hábitos. No Brasil, país de dimensões continentais, ainda não existem levantamentos específicos sobre como isso afetou a questão do uso de drogas.

Contudo, a Confederação Nacional de Municípios (CNM), por meio do Observatório do crack, alerta os Estados e a União, desde sua primeira pesquisa divulgada no ano de 2011, onde 98% dos Municípios brasileiros já apontavam problemas relacionados ao consumo de crack e outras drogas, que a situação da política sobre drogas no Brasil precisa ser revista em conjunto com gestores municipais, pois é lá, na ponta, onde as ações de prevenção, acolhimento, tratamento e reinserção social precisam ser trabalhadas.

Foto: EBC

Da Agência CNM de Notícias, com informações da BBC